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Promovendo a saúde bucal, a educação e diminuindo a fome através de ações do Rotary

julho 14, 2009 escrito por admin

Júlio Jorge D’Albuquerque Lóssio **

Neste artigo o autor mostra o resultado de seu envolvimento em dois projetos. Um  de prevenção da cárie dentária formando Agentes de Saúde Bucal, e usando procedimentos preventivos na clínica que o NUPEC atua. Mostra o resultado de uma campanha para arrecadação de livros com uma metodologia interessante. Por fim para minorar o problema da fome sugere o uso do pedúnculo do caju, e o que é disperdiçado em frutas e verduras nos CEASAs. Programas desta natureza minoram as desigualdades sociais gerando uma sociedade mais solidária e menos violenta.

Sempre que se fala em prestar SERVIÇO, alguns sócios questionam os custos envolvidos, outros, saem com a velha desculpa da falta de tempo.

Para esses companheiros, que jocosamente chamamos de almoçarianos ou jantarianos, mostramos que a sociedade é a maior beneficiária de nossas ações, e se conscientizada, certamente, arcará com aqueles custos, que de uma maneira geral são ínfimos, quando diluído entre todos.

Relativamente à falta de tempo, sempre parafraseamos um amigo “só acredito em homem ocupado”. Mostramos também que se não pensarmos de forma egoísta, ou seja, deixando o clubismo de lado, podemos engajar, outras instituições de serviço, além dos vários setores da comunidade. Assim, passaremos da condição de obreiro para a de coordenador, multiplicando geometricamente a mão de obra voluntária, diminuindo dessa forma o tempo que iremos prestar o serviço voluntário.

Passando desse discurso para a prática, mostraremos os resultados de dois projetos vitoriosos desenvolvidos com parcerias e um sonho que pretendemos materializar. Esses projetos mostram que se tivermos vontade, poderemos melhorar a saúde bucal do brasileiro, influir na educação e sonhar em minorar a fome.

Como melhorar a saúde bucal

O Brasil é um dos campeões mundiais da doença - cárie dentária. Isto é um problema de saúde pública. Por outro lado, as doenças da boca geram 20% de perdas na produtividade. Daí ser também um problema econômico.

Objetivando contribuir para mudança desse perfil, o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Clínicas - Prof Ailton Gondim Lóssio – NUPEC, pessoa jurídica, sem fins lucrativos, reconhecido pela Universidade Federal do Ceará, constituído por dentistas e estudantes de Odontologia tem os seguintes objetivos: 1) o ensino aos alunos dos procedimentos preventivos e cirúrgico-restaruadores; 2) as pesquisas desenvolvidas pelo grupo das quais resultaram mais de 50 trabalhos nos últimos dois anos e 3) a extensão, onde o NUPEC através de encenações teatrais, de jogos educativos, da formação de agentes de saúde bucal (ASB), entre outros, motiva a comunidade e transmite ensinamentos relativos à promoção da saúde bucal, para evitar a cárie e a doença da gengiva.

Em parceria com clubes de Rotary, desde 1995 o NUPEC mantém um projeto piloto que cuida de 400 crianças de duas escolas da periferia de Fortaleza, realizando gratuitamente cerca de 5500 procedimentos odontológicos/ano. Atualmente, vem se dedicando também à formação de agentes de saúde bucal entre líderes de comunidades, preferencialmente, aquelas assistidas por clubes de Rotary.

Estratégia para formação do agente de saúde bucal (ASB)

Os agentes de saúde bucal são escolhidos entre os líderes da comunidade.

Sua formação é feita através de dois tipos de oficinas.

As expositivas, onde os membros do NUPEC usam um bem elaborado material áudio-visual, para transmitir noções básicas sobre a anatomia bucal; o que é cárie e doença de gengiva, suas causas e conseqüências; importância da dieta - malefícios do açúcar; como limpar os dentes e a boca e, como aplicar o bochecho semanal com flúor.

Após cada oficina expositiva, os futuros agentes de saúde bucal preparam numa oficina prática de trabalhos manuais, o material didático que irão usar para ensinar e motivar as crianças de sua comunidade. Todo material utilizado é adquirido por eles e os membros do NUPEC ficam a disposição somente para dar, se convocados, assessoria técnica. Nos chama a atenção o poder de síntese e a criatividade que demonstram.

As últimas oficinas são as de treinamento prático, ocasião em que aprendem a técnica correta para escovar os dentes, a gengiva e a língua e a usarem o fio dental. Para tal, cada futuro agente com sua escova e de frente para um espelho, recebe treinamento individual dado pelos membros do NUPEC.

O último treinamento dessa oficina é para ensinar a aplicação do flúor em bochecho. Os futuros ASB aprendem a usar a almotolia com a solução de flúor; a controlar o tempo de bochecho e como evitar que a criança ingira aquela solução.

O curso de formação do agente de saúde bucal é feito em nove oficinas de três horas. Estamos buscando patrocinadores para impressão de uma cartilha a cores com todo esse material para distribuir gratuitamente em comunidades carentes através dos clubes de Rotary.

Usado essa metodologia, esses agentes podem reduzir a cárie em até 90%, a um custo irrisório de R$ 6,00 por criança/ano.

Como influir na educação

No ano rotário 1999-2000, a partir de uma proposta nossa, foi firmada uma parceria entre alguns clubes de Rotary de Fortaleza, clubes de Rotaract, sindicatos de escolas, associações de alunos e de pais e mestres e uma corporação militar (23o BC). O objetivo era arrecadar 15 mil livros para doar a bibliotecas da periferia.

Com base na nossa experiência e corrigindo alguns erros de percurso, sugerimos a seguinte metodologia.

Os clubes e entidades de serviço (os coordenadores) devem: 1) se organizar dividindo as tarefas e nomeando um coordenador geral; 2) definir os parceiros e suas obrigações; 3) definir os locais que receberão os livros, para que dimensionem o número e o tipo de livros a serem arrecadados; 4) encontrar patrocinadores; 5) definir as escolas onde os livros serão arrecadados analisando seu grau de interesse e motivação; 6) implantar o projeto nas escolas com material de propaganda patrocinado; 7) visitar periodicamente as escolas para avaliação e motivação; 8) acompanhar a arrecadação, catalogação e distribuição final realizando festividade pública para promover o Rotary.

Os sindicatos e associações de escolas, alunos, e pais e mestres, devem permeabilizar o projeto nas diversas escolas. Desta forma, sem interferência dos coordenadores, cada escola definirá sua estratégia de arrecadação .

Relativamente à corporação militar, cabe recolher os livros, armazenar, catalogar com auxílio de pessoal técnico (universidades - faculdades de biblioteconomia) e finalmente distribuir nas comunidades previamente selecionadas.

Com base nesse tipo de estratégia, conseguimos naquele ano rotário de 1999-2000, arrecadar 70 mil livros que o então governador José Háteras e Silva entregou ao secretário de Educação do Estado do Ceará, Dr. Antenor Manoel Naspoline.

Sonhando para minorar a fome

O caju como solução.

A tendência atual é a de que a fome passe ser cada vez mais um dos componentes determinantes das revoltas sociais.

No mundo existem 800 milhões de famintos dos quais 170 milhões são crianças. Por este motivo e por doenças, a cada 5 segundos morre uma criança nos países do terceiro mundo (Guimarães, M.S.B. Brasil Rotário, v.77, n.961, p.23, jul. 2002).

No Brasil, a fome graça no nordeste devido a industria da seca que alimenta a ganância de parasitas sociais, impondo sempre soluções emergenciais, portanto paliativas. Esse quadro dantesco poderia ser minorado. Como primeira proposta, apresentamos o caju. De seu pedúnculo pode ser extrair o suco (vitamina C) e as fibras, ambos, com alto valor nutricional.

A fibra do caju faz parte hoje da culinária nordestina, fazendo-se a partir dela alimentos simples como o pão, sopa ou a paçoca, até pratos sofisticados como a moqueca ou o strogonoff.

Apesar disto, no mundo são atiradas no lixo 80 milhões de toneladas de pedúnculo por ano, sendo que um dos maiores produtores é a Índia, país mutilado pela fome. No Brasil, somente o Grupo Cione, sediado no Ceará e Piauí, joga fora 900 mil toneladas/ano. O Rotary pode contribuir para a solução do problema.

Tomando como exemplo o distrito 4 490 (Ceará, Piauí e Maranhão), há possibilidade de uma parceria com o Grupo Cione, que possui quatro fazendas, e planta 105 mil hectares de caju,  por isto seria possível os clubes de Rotary pertencentes à área geográfica de uma destas fazendas implantar um projeto piloto.

O grupo Cione cederia na fazenda, o local para processamento e entregaria gratuita do pedúnculo. Seu processamento é simples e de baixo custo, pois o único equipamento necessário é um liquidificador industrial. A fibra obtida é congelada e armazenada em freezer. Antes de usar ,ela é temperada com os condimentos, ao gosto de cada paladar, e o cozimento é o convencional para carne ou peixe.

Os clubes de Rotary envolveriam e motivariam as comunidades carentes para participarem do projeto. Coordenariam o processamento do pedúnculo, seu congelamento e distribuição. Finalmente, técnicos da Cione (que possuem mais de 40 receitas) mostrariam como elaborar alimentos dentro da realidade de cada comunidade.

O passo seguinte desse projeto piloto seria envolver as universidades e empresas especializadas, para se estudar o valor nutricional do caju, e o desenvolvimento de um processo de liofilização que dispensasse o congelamento da fibra, para facilitar sua distribuição.

Como o Rotary somos todos nós, e não os clubes ou distritos individualmente, esse projeto poderia se transformar em um programa de âmbito multidistrital, envolvendo quem sabe, outros países.

Usando a potencialidade do desperdício nos CEASA

Diariamente, toneladas de frutas, legumes e verduras são jogados fora nos CEASA de todo Brasil. Se aproveitássemos esse desperdício, potencializaríamos alimentação em forma de suco e sopa para milhares de excluídos.

O Rotary poderia coordenar um projeto como este. Por ser apartidário, conseguiria envolver os níveis de governo, que co-patrocinariam o projeto. Sua credibilidade motivaria a participação efetiva das comunidades necessitadas e o engajamento da direção e dos lojistas dos CEASA que doariam os produtos não comercializáveis.

O processamento seria feito no próprio CEASA, pela proximidade da matéria prima, e por dispor de área física. A propósito, o CEASA de Fortaleza-CE está na fase experimental da produção do "sopão” cujo custo e muito pequeno. O problema atual é o custo da embalagem ser superior ao do produto.

A distribuição seria feita por setores organizados das comunidades carentes envolvidas, evitando a interferência alienígena, muitas vezes interesseira, e que busca vantagens pessoais.

Se deixássemos de lado a vaidade que fortalece e emula o clubismo, e se cada um daqueles rotarianos muito ocupados e que não têm tempo para o SERVIR, dedicasse um minuto por dia para um projeto comunitário integrado, só em Fortaleza-CE teríamos no mínimo 800 minutos (13,3 h) de trabalho voluntário diário.

Se melhorarmos a saúde, se estimularmos a leitura e se minorarmos a fome, diminuiremos as desigualdades sociais, tornando o mundo mais justo. Assim, muitas crianças excluídas que hoje vivem acuadas como animais ferozes, estampando no rosto a revolta e o ódio, e que carregam nas mãos armas e drogas, voltariam a mostrar o sorriso meigo, ingênuo e cativante, e nas suas mãos teriam um brinquedo ou uma flor. Dessa forma, o Brasil despertaria num amanhã de menos violência e mais amor, deixando de ser o “país do futuro”, para ser o Brasil do agora.

Palestra apresentada na 51a Conferência do distrito 4490.Teresina-PI, abril/2002.
O autor é sócio do RC Fortaleza Meireles – EGD 2006-07

juliolossio@terra.com.br- 55-85-9981.8659

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