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Companheirismo: Objetivo de Rotary

julho 14, 2009 escrito por admin

Companheirismo deveria ser o primeiro objetivo de Rotary

O tema proposto com certeza despertará a crítica contundente de muitos papas do Rotary, pois, ousa inverter uma pirâmide que se baseia no servir, para propor que a base passe a ser o companheirismo.

As razões que justificam a proposição tiveram origem na frustração que tive ao ingressar em Rotary.

Pensei que rapidamente iria formar um novo e grande grupo de amigos, mas lamentavelmente, isto não aconteceu. O tempo passou, a fraternidade pela convivência aumentou, mas a amizade esperada não proliferou como era a expectativa inicial.

Refletindo sobre o problema, cheguei à primeira lamentável conclusão: sócios de Rotary aqueles que só comem e aplaudem são muitos, mas rotarianos, aqueles realmente engajados nos objetivos de Rotary, infelizmente são poucos.

Como tenho raízes rotárias, lembrei com saudades de minha adolescência, das frequentes plenárias (“festivas”) feitas nas casas dos rotarianos, do recém fundado Fortaleza Oeste, do qual, meu falecido pai foi fundador. Ali sim, vivificava-se a amizade entre os companheiros, isto talvez, por ser Fortaleza uma cidade provinciana, das conversas nas calçadas, o que motivava o coletivismo. Hoje, como quinta cidade do país, ela nos impõe ao individualismo, nos segregando ao trabalho e ao lar, e aí somos escravos dos “plim plins” televisivos.

Minhas reflexões não pararam aí.

Ao ler alguns ensaios sobre Paul Harris, ficou claro que seu objetivo inicial era reunir colegas em um ambiente informal de amizade, daí a primeira reunião de Paul, Silvester, Gus e Hiram em 23 de fevereiro de 1905. A ampliação do grupo e, a fundação do Rotary, deveu-se à filosofia de Paul Harris, na qual, somente a amizade permite a tolerância política e religiosa, para finalmente propiciar o servir. Outro atestado de nosso fundador de que a amizade era a pedra basilar de nossa instituição, foi quando juntamente com “Bonnie Jean” sua esposa, batizaram o bairro de Morgan Park onde moravam em Chicago, com o nome de Comely Bank (Ribanceira Graciosa), e chamaram a sua casa de “clube das conversas”, pelas frequentes reuniões que promoviam recebendo amigos. Aí era frequentador assíduo Silvester Schiele, amigo inseparável e que morava próximo, tendo a separá-los um bosque de carvalhos. Na trilha percorrida por eles era fácil identificar as marcas de seus sapatos, daí este recanto ficou conhecido como o “Bosque da amizade”.

A preocupação de Paul Harris com amizade se consubstancia neste seu pensamento “Deus permitiu que minha visão fosse curta para as imperfeições dos homens e das nações, e aguda para as suas virtudes”.

Como dei a entender, o individualismo é a grande barreira que precisamos transpor para sermos rotarianos. Por sua causa, não conseguimos desenvolver o real companheirismo (amizade) dentro de nossos clubes e entre os clubes de Rotary.

O individualismo contaminou nossos dirigentes, pois cada um ao exercer o poder quer deixar sua marca inscrita para aquilo que pensa que será a posteridade. Esquecemos que nos iremos e o Rotary ficará, nos não somos dirigentes, estamos dirigentes.

Por não sermos amigos, nossas ações de servir são dispersas e algumas vezes efêmeras. Juntos teríamos uma potencialidade incomensurável, mas preferimos por amor próprio conviver com o desperdício. Enfim, em vez de nos juntarmos, nos separamos cada vez mais, a medida que crescemos.

Nossa individualidade chega ao ponto de não termos uma sede, daí vivermos esfacelados administrativamente e submetidos a exploração dos locais que nos reunimos.

A sede própria seria um sonho viável? Com certeza.

Ela poderia ser construída sem ônus para os clubes de Fortaleza e abrigaria suas administrações, teria um mini centro de convenções, um amplo restaurante e local para prestação de serviços à comunidade em diversas áreas. Poderia ainda através de arrendamentos, financiar ações rotárias e outros custos envolvidos.

É necessário que os clubes das cidades e os distritos rotários passem a pensar em projetos coletivos, mesmo que este tipo de decisão não se encaixe dentro dos padrões normativos de Rotary. Se tivermos amizade e humildade, não encararemos como interveniência ou intervenção as deliberações para mobilização do coletivo para ações específicas de servir.

Para evitar a evasão do Rotary, aumentar a frequência e o servir, só vejo uma saída, exercitar o companheirismo por todos os meios.

Como somos átomos, os sentimentos de amizade vivem em nosso núcleo, precisamos promover explosão nucleares e fazer com que eles se irradiem em nossos clubes e distritos, pois só assim poderemos transformar os sócios de Rotary, em verdadeiros rotarianos.

Júlio Jorge D’Albuquerque Lóssio
Governador 2006-07 – D. 4490
Sócio do Rotary Clube de Fortaleza Meireles
(85) 99818659 – juliolossio@terra.com.br

 

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